Após vários anos de condições favoráveis, o sector agrário neerlandês apresenta, em 2026, uma situação mais desigual. De acordo com a última análise sectorial do ABN AMRO, os produtores de leite, de suínos e de culturas herbáceas enfrentam preços de mercado inferiores aos custos de produção, enquanto os preços elevados da energia e dos combustíveis e a seca pressionam outras actividades.
Apesar deste contexto, o banco considera que o sector agrárioa mantém, de um modo geral, uma importante capacidade de resistência financeira, graças aos bons resultados obtidos entre 2023 e 2025, à acumulação de reservas e a uma menor pressão financeira. No entanto, alerta que a baixa disponibilidade para investir — também relacionada com a incerteza sobre as licenças e políticas da natureza e da água — pode acabar por afectar a produtividade, a inovação e a sustentabilidade.

No sector suinicola, as condições de mercado deterioraram-se claramente em 2026, após três anos excepcionalmente bons. O ABN AMRO situa a origem do actual desequilíbrio do mercado europeu no final de 2025. Entre os factores apontados estão as tarifas chinesas, que dificultam o escoamento dos cortes de porco com baixa procura na Europa, e as restrições à importação de carne de porco espanhola fora da UE — resultantes do surto de Peste Suína Africana no país —, que provocaram uma maior disponibilidade de carne espanhola no mercado comunitário.
A isto acresce a força do euro, que torna a carne de porco europeia relativamente mais cara no mercado mundial. Como consequência, os preços de venda desceram, enquanto os custos importantes — como a alimentação, a gestão de resíduos, a mão-de-obra e a energia — se mantêm elevados.
O ABN AMRO observa uma certa melhoria do mercado durante o terceiro trimestre de 2026, com um ligeiro aumento do preço dos porcos, uma menor oferta de leitões e uma recuperação cautelosa das exportações de leitões para a Alemanha e Espanha. No entanto, a produção europeia aumentou ligeiramente e persistem limitações estruturais à exportação, razão pela qual o banco não espera uma recuperação significativa dos preços.
A situação varia de acordo com o tipo de exploração. As explorações especializadas na produção de leitões vão enfrentar a maior pressão nos próximos seis meses, uma vez que o preço dos leitões não permite cobrir todos os custos. As explorações de engorda, depois de terem sofrido no primeiro semestre do ano com preços baixos dos porcos e leitões relativamente caros, apresentam uma ligeira melhoria na sua posição graças à descida do preço de compra destes últimos. As explorações de ciclo fechado deverão também continuar a operar, previsivelmente, um pouco abaixo dos custos de produção.
As explorações integradas em conceitos de mercado como o *Beter Leven* estão mais protegidas contra as flutuações, graças a acordos sobre prémios ou compensações ligadas aos custos. De um modo geral, o ABN AMRO prevê que a posição de liquidez do sector suinícola se deteriore nos próximos seis meses, embora as explorações de engorda possam registar uma ligeira melhoria.
A longo prazo, os elevados custos de gestão de resíduos e de adaptação das instalações continuarão a pressionar os resultados. O ABN AMRO salienta que os custos de construção e adaptação das instalações aumentaram consideravelmente e que o acordo para avançar para uma pecuária que respeite o bem-estar animal exigirá investimentos significativos em alojamento e bem-estar. Os custos elevados e as necessidades de investimento tornarão cada vez mais difícil para uma parte do sector manter uma rentabilidade suficiente a longo prazo.
29 de Setembro de 2026/ ABN-AMRO/ Países Baixos.
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